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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Lenda da Cerejeira (SAKURA) II

Segundo essa lenda, vivia há muitos anos em Iyo um samurai muito velho; tão velho que já nem tinha família nem amigos vivos. O único ser a que ainda podia dedicar o seu amor era uma velha cerejeira que os seus antepassados tinham plantado e à sombra da qual o velho samurai tinha brincado enquanto criança. A mesma árvora em cujos ramos os membros da sua família tinham pendurado, durante gerações e gerações, pequenos pedaços de papel onde haviam escrito belos poemas de louvor à velha árvore.

Mas um dia, ó tristeza, a velha cerejeira começou a definhar e depois morreu. Os vizinhos do samurai vieram plantar uma nova cerejeira, mas para o velho samurai a morte da árvora era um sinal de que a sua vida também estava a chegar ao fim.

Então, dirigiu-se à cerejeira cujo tronco ainda se erguia altaneiro no meio do jardim familiar e fez um último desejo: a cerejeira deveria florir ainda uma última vez. E o velho samurai prometeu que se o seu desejo fosse realizado, esse seria o momento para ele próprio morrer também. A velha cerejeira voltou a dar flor, embora fosse Inverno, e ali mesmo sob os seus ramos o velho samurai cometeu harakiri. O sangue ensopou o chão e chegou às raízes da velha cerejeira, e ela floriu uma vez mais.

Segundo ainda a lenda, desde esse dia a velha cerejeira dá flor todos os anos pelo aniversário da morte do samurai. Dizem que é no sexto dia do primeiro mês do ano, bem mesmo no coração do Inverno.

Havia uma cerejeira no jardim da antiga casa dos meus pais que dava tanto fruto que tínhamos de pôr suportes para aguentar com o peso dos ramos. Pergunto-me se a árvore ainda existe...

© Dulce Rodrigues


http://www.dulcerodrigues.info/educa/pt/lendas_cerejeira_pt.html

Lenda da Cerejeira (SAKURA) I

Diz a lenda que SAKURA vem da princesa KONOHANA SAKUYA HIME que teria caído do céu nas proximidades do Monte Fuji e teria se transformado nesta bela flor.
Acreditam se também que tem sua origem na cultura de arroz. A parte KURA significa deposito onde se guardava arroz, alimento básico dos japoneses considerado dádiva divina.

http://www.flordecerejeira.com.br/sakura.asp

domingo, 24 de abril de 2011

Lenda da Tanabata



Dando continuidade ao trabalho desenvolvido dentro do Projeto Didático: " Uma lenda, duas lendas, tantas lendas" do LER E ESCREVER... escolhi para fazer a leitura em voz alta para os alunos uma lenda que particularmente gosto muito... e por isso resolvi transcrevê-la abaixo:

TANABATA

Há cerca de 4.000 anos, inspirados nas estrelas Veja e Altair, os chineses criaram uma história.

Uma certa princesa chamada Orihime e o seu amado Kengyu, assim conhecidos pelos japoneses, que ao se conhecerem, dedicaram-se apenas às paixões, esquecendo-se, completamente, das suas obrigações, por esse motivo, foram transformados em duas estrelas e separados pela Via Láctea, porém permitiu-se a ambos apenas um encontro anual no sétimo dia de julho, com a ajuda dos pássaros.

Baseando-se nessa lenda, este evento foi transformado em uma festa.

Esta festa foi introduzida no Japão, há aproximadamente 1.300 anos, com o nome de Tanabata Matsuri e na cidade de Sendai é que se realiza como das mais belas e maiores manifestações do folclore oriental.

No dia do Tanabata, é costume amarrar papeletas (tanzaku) nos ramos de bambu (sassa-dake), colocados junto aos enfeites, em que as pessoas escrevem os seus pedidos, que serão realizados.

Segundo a lenda, os pedidos contidos nos tanzakus (papeletas coloridas) devem ser queimados depois de uma cerimônia xintoísta, para que os desejos sejam ouvidos pela princesa Orihime e pelo pastor Kengyu.

Fonte: ACENBA - Escola de Língua Japonesa de Bastos.


Para quem se interessar há um livro falando sobre a lenda que indico aqui:

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lenda: O Dono da Luz

Desde o ano passado estamos trabalhando com o material do Projeto Ler e Escrever no Estado de São Paulo...
Como sou professora de uma quarta-série, o Projeto Didático proposto é sobre lendas.
Escolhi uma Lenda que gosto para postar aqui...

O DONO DA LUZ

No princípio, todo mundo vivia nas trevas. Os waraos procuravam o que comer na escuridão, e a única luz que conheciam provinha do fogo que obtinham da madeira. Não existiam então nem o dia nem a noite.

Um dia, um homem que possuía duas filhas ficou sabendo que existia um jovem que era dono da luz. Então, chamou a filha mais velha e disse-lhe:

- Vá até onde se encontra o jovem dono da luz e traga-o para mim.

Ela fez sua trouxa e partiu. Mas encontrou pela frente muitos caminhos e acabou tomando um que a levou até a casa do veado. Ali conheceu o animal e acabou se distraindo a brincar com ele.

Em seguida, voltou à casa do pai, porém sem trazer a luz.

Então o pai decidiu enviar a filha mais nova.

- Vá até onde se encontra o jovem dono da luz e traga-o para mim.

A jovem tomou o caminho certo e, depois de muito andar, chegou à casa do dono da luz e disse-lhe:

- Vim conhecê-lo, ficar um pouco com você e obter a luz para o meu pai.

O dono da luz lhe respondeu:

- Eu ja esperava você. Agora que chegou, viverá comigo.

Então o jovem pegou um baú de junco que tinha a seu lado e, com muito cuidado, abriu-o. A luz iluminou imediatamente seus braços e seus dentes brancos. Iluminou também os cabelos e os olhos negros da jovem.

Foi assim que ela descobriu a luz. O jovem, depois de mostrar a luz à moça, voltou a guardá-la.

Todos os dias, o dono da luz a tirava do baú para que se fizesse a claridade e ele pudesse se distrair com a jovem. E assim foi passando o tempo. Até que a moça se lembrou de que tinha de voltar para casa e levar ao pai a luz que viera buscar.

O dono da luz, que já tinha ficado amigo da moça, deu a ela, de presente, a luz.

- Tome a luz, leve-a para você.Assim poderá ver tudo.

A jovem regressou à casa do pai e entregou-lhe a luz fechada no baú de junco. O pai pegou o baú, abriu-o e pendurou-o num dos paus que sustentavam a palafita em que moravam. De imediato, os raios de luz iluminaram a água do rio, as folhas dos magues e os frutos do cajueiro.

Quando, nos varios povoados do delta do rio Onicono, espalhou-se a notícia de que existia uma família que possuía a luz, os waraos começaram a vir conhecê-la. Chegaram em seus ubás do ria Araguabisi, do ria Mánamo e do rio Amacuro. Eram ubás e mais ubás, cheias de gente e mais gente.

Até que chegou um momento em que a palafita já não podia aguentar o peso de tanta gente maravilhada com a luz. E ninguém ia embora, pois ninguém queria continuar vivendo na escuridão, já que com a claridade a vida era muito mais agradável.

Por fim, o pai das moças não pôde mais suportar tanta gente dentro e fora de sua casa.

- Vou pôr fim nisto - disse - Todos querem a luz? Pois lá vai ela!

E com um soco quebrou o baú e atirou a luz ao céu. O corpo da luz voou para o leste, e o baú, para o oeste. Do corpo de luz fez-se o sol, e do baú em que ela estava guardada surgiu a lua, cada um de um lado.

Mas, como eles ainda estavam sob o impulso da força do braço que as lançaram longe, sol e lua andavam muito rápido. O dia e a noite eram, assim, muito curtos, e a cada instante amanhecia e anoitecia.

Então o pai disse à filha mais nova:

- Traga-me uma tartaruga.

Quando a tartaruga chegou às suas mãos, esperou que o sol estivesse sobre sua cabeça e lançou-a a ele, dizendo-lhe:

- Tome esta tartaruga. É sua, é um presente que lhe dou. Espere por ela.

A partir desse momento, o sol ficou esperando a tartaruguinha. E, no dia seguinte, ao amanhecer, viu-se que o sol caminhava lentamente, como a tartaruga, exatamente como anda hoje em dia, iluminando até que a noite chegue.

(fonte: Como surgiram os seres e as coisas, Coedição latino-americana, 1987)